Como alguém que passou anos trabalhando com jovens, inclusive como diretora do Boys and Girls Club, posso afirmar isso com certeza: as crianças sempre prestam atenção em como os adultos reagem, mesmo quando não parece. Agora, em meu trabalho na prevenção do uso de substâncias por jovens, observo o mesmo padrão com os pais. Nem sempre é o que você diz que fica na cabeça da criança, mas sim como você diz. O tom de voz, a linguagem corporal e a atmosfera geral da conversa podem tanto abrir quanto fechar completamente as portas. É por isso que usar uma linguagem calma e sem julgamentos ao falar sobre substâncias é uma das ferramentas mais importantes que um pai ou mãe pode ter.
Muitos pais reagem por medo, o que é compreensível. O uso de substâncias é um assunto sério e ninguém quer que seu filho corra riscos. Quando uma conversa começa com raiva, pânico ou punição imediata, muitas vezes o efeito é o oposto do desejado. De acordo com a CADCA (Canadian Development and Community Association), os jovens são mais propensos a adotar comportamentos saudáveis quando se sentem conectados a adultos de confiança e acreditam que podem conversar abertamente sem medo de julgamentos severos. Se um jovem sente que vai se meter em problemas só por ser honesto, é muito mais provável que ele se feche ou esconda coisas dali em diante.
Já vi isso acontecer na prática. Um adolescente testa o terreno dizendo algo como: "Todo mundo faz isso, não é nada demais". Essa afirmação nem sempre é o que parece. Muitas vezes, é uma pergunta disfarçada. Eles estão tentando descobrir o que você pensa e se é seguro conversar sobre o assunto. Se a resposta for "De jeito nenhum, fim de papo", a conversa termina antes mesmo de começar. Se a resposta for calma e curiosa, algo como "Por que você acha isso?" ou "O que você já ouviu falar sobre isso?", cria-se um espaço para reflexão. De acordo com a NAADAC, a comunicação respeitosa e não confrontativa ajuda a reduzir a defensiva e aumenta a probabilidade de os jovens realmente absorverem o que está sendo dito.
O tom de voz desempenha um papel fundamental. Você pode dizer exatamente a mesma frase de duas maneiras diferentes e obter resultados completamente distintos. Um tom calmo demonstra que você está no controle e que está ali para apoiar, não para atacar. Transmite à criança a mensagem de que se trata de uma conversa, não de um interrogatório. Na minha experiência, quando os pais se mantêm firmes e evitam reações exageradas, as crianças ficam mais dispostas a continuar conversando, mesmo sobre assuntos difíceis. É aí que o verdadeiro impacto acontece. Não em uma palestra, mas sim em uma conversa de troca, onde a confiança é construída em tempo real.
No fim das contas, os pais não precisam ter um roteiro perfeito. Eles só precisam estar presentes, manter a calma e deixar a porta aberta. O objetivo não é vencer a conversa ou provar um ponto de vista. O objetivo é construir um relacionamento onde seu filho se sinta à vontade para conversar com você, mesmo quando as coisas ficarem difíceis. Se você conseguir fazer isso, já estará fazendo uma das coisas mais importantes para proteger seu filho. Inicie a conversa, mantenha-a e lembre-se de que seu tom de voz pode ser a mensagem mais importante que ele ouvirá.




